quarta-feira, 16 de abril de 2008

AMOR E SEXO
- no mundo contemporâneo -










Buscando uma demonstração do empobrecimento da humanidade quanto a seus ideais e como uma das causas ser o Capitalismo, compararei às demais épocas o amor, sexo e o erotismo.
Sempre houvera certo tabu a essa temática desde a Queda de Roma, e até antes, logo que iniciara a influencia da Igreja. Na pré-história o sexo, amor e o erotismo eram tratados como a mesma coisa e nada ao mesmo tempo. Era tudo um instinto de sobrevivência da espécie humana. O erotismo era tão normal na humanidade quanto para um pavão que ergue a cauda para atrair a fêmea, ou um sapo que estufa o papo para o mesmo fim, em seguida vem o sexo que é o ato de copular, não para a satisfação pessoal, mas para a procriação. O amor existe, mas apenas como um laço invisível de proteção de família e coletividade. Não havia a visão romântica simbólica como a de nossa sociedade, apenas um ato instintivo de sobrevivência. A própria concepção de família primitiva é divergente da nossa. Não havia valores como de pai ou mãe, nem de marido e mulher. A mulher tinha liberdade de transar com quantos homens fosse assim como o inverso, consequentemente o filho nascia sem saberem quem seria o “pai” e acabava que a coletividade do bando iria ser a mãe e pai da criança, junta, desenvolvendo e criando a prole como um do Todo-Coletivo.
Com o surgimento das civilizações as coisas mudaram um pouco: o corpo, o amor e o erotismo passariam a ser compreendidos como algo mais simbólico, através de mitos e valores que a sociedade passaria a criar. Os homens de altas classes criaram a monogamia, aonde haveria um homem para uma mulher, assim dando certeza que sua herança passaria ao seu filho que criara desde pequeno, seria nem da coletividade e poderia saber quem era seu descendente herdador de seu poder e riqueza.
Olimpíadas com esportistas nus, mulheres com seios desnudos e estatuas de grandes heróis completamente nus revelavam que sexualidade, amor e o erotismo ganharam um valor novo: o de arte. O amor era algo representado por uma filosofia incompreensível. O erotismo era o principal da sociedade, o eixo entre os outros dois. O tema da sexualidade não era simples e puramente copular, mas de mostrar, revelar o que os Deuses lhes deram de melhor. Como já dizia a frase: “O que é bonito é para se ver!”.
Quando veio a era do Império Religioso Católico e as primeiras sementes da erva daninha da sociedade, o capitalismo, a sexualidade afundara em corrupção e ilicitação. Tabus e proibições severas foram impostas sob alegação que tal ato era impuro, obsceno e repugnante, acabando até por ter uma cadeira nos 7 Pecados Capitais: a luxuria. O erotismo era domínio do demônio, o sexo devia ser feito, mas sem ter como finalidade o prazer pessoal e o amor era restrito ou ignorado. Sendo que essa ideologia duraria na sociedade até pouco tempo e há vestígios de continuidade em algumas pessoas tradicionais na atualidade. A sexualidade era tão hedionda que uma criança por nascer de tal ato profano precisava do batismo, pois com a água sagrada o “limparia” da sujeira da influencia do diabo. O erotismo era evitado, pois era um crime a entidade divina e poderia haver punição eterna com torturas e horrores indescritíveis pela Ira de Deus. Então se um homem desse uma piscadela insinuosa a uma dama, deveriam correr logo para o confessionário e rezar trocentas orações para conseguirem o perdão e se livrarem do demônio.
O amor era algo sem valor… Antes seria melhor servir como freira ou padre do que amar, pois apenas a paixão por Cristo estaria livre da Perdição, ou não importa por quem a nobre dama se apaixonou, ela deve casar com uma pessoa de mesmo sangue azul e que o pai achar social e financeiramente mais vantajoso. O amor? Que venha com o tempo…
Houve 2 movimentos históricos em busca da liberdade da libido: o primeiro foi a ação artística renascentista, que ergueu o direito do Carpe Diem de existir e levou à extinção tabus da Igreja. Expressando anjos nus, sem vergonha do sexo, e santos em insinuantes copulações (pois por mais que fossem santos, podiam procriar e tinham “desejos mortais”), os artistas colocaram abaixo a idéia única de que a carne é proibida. Um exemplo é a magnífica escultura de Bernini, Êxtase de Santa Helena, aonde ela deitada em feição revelando um orgasmo possui um anjo sobre ela lhe apontando uma quente flecha de fogo. Nessa época o amor era novamente liberado, a sexualidade era mais desorganizada, não havendo muito do erotismo, o qual era mais colocado nas obras do que no social.
Todavia as façanhas de tal movimento pereceu ante a maquina burguesa chamada CAPITALISMO. Amor, sexo e erotismo fora anulado. Horas e mais horas de jornada de trabalho pesado cansavam o suficiente para essa “Trindade” ser colocada em 10º plano pelos operários. Os burgueses, pelo contrario, tinham tempo e até criaram o movimento Romântico da literatura. O amor se tornara algo mágico para o burguês, algo fantástico, um conto de fadas forjador de fortes ideologias e valores. O sexo ainda tratado como sinônimo de Perdição, coisa do mal, criara o valor da pureza e virgindade. E o erotismo, ainda que repreendido, surgia sob inúmeros gestos ritualísticos e ações simbólicas.
Com o 2º movimento marcado pelo Woodstock, os jovens buscaram a liberdade para a libido reprimida pela sociedade. Mas não veio a funcionar como o Carpe Diem, pois seu tema era “Sexo, Drogas e Rock’n Roll”, não “Sexo, amor, drogas e Rock’n Roll”.
O amor parecia idiota, coisa de burguês, um bando de símbolos desnecessários, e o erotismo era usado apenas para a vertente que lhes era considerada principal: o sexo (lembrando que a sexualidade no passado era dirigida para o amor, principalmente). Uma criança é aquela que na imaturidade própria ante a circunstancia do ato prejudicial exterior não pensa na conseqüência futura e não sabe como se revoltar sem erros que lhe traga problemas danosos mais a frente, assim fora o movimento jovem. Um movimento imaturo se comparado com o do Renascimento.
Vendo uma brecha para conquistar audiência e um enorme publico, a mídia apoiou o tema do sexo defendido pela juventude esmagadora, e logo o capitalismo interveio. Juntos, Capitalismo e mídia começaram ao rompimento, decomposição, destruição da sexualidade e seus valores antigos. Metralhando o povo com pornografia pela televisão, leitura, imagens, comerciais e demais formas, mitos foram criados, o amor foi colocado de lado e o erotismo (agora tratado o mesmo que sexo) se tornara algo tão explicito e obsceno que ele perdera seus valores sociais e assumira uma identidade nova e nociva. O sexo fora rotulado diretamente ao prazer genital, o amor se tornou obsoleto, algo inexistente,uma verdadeira utopia, só existe Vontade Carnal (que chamam erroneamente de paixão momentânea), e o erotismo é uma ferramenta para o sexo, mas desnecessária, pois o sexo pode existir sem ele na atualidade. O homem passou a ser súdito do sexo e inimigo do amor.
O sexo se tornou um monstro, poucos pensam em amar. Todo garoto reza para não morrer virgem, as garotas procuram descobrir como é o tal sexo (“Guardar-me pura? Virgem? Ih! Mané, cai fora! Isso é coisa da época da minha avó!”, já dizem algumas adolescentes). Os grupos adolescentes e adultos saem procurando as pessoas de corpo mais belo para o sexo, até arrumando mais de uma na mesma noite, para no fim contar aos amigos quantas “pegou”, como contando cabeça de gado (as surubas e swings são exemplos da busca do prazer genital desenfreado). Esse culto monstruoso ao sexo, inclusive, vem elevando cada vez mais o índice de depressão amorosa, homossexualismo e masturbação. Para a maioria, o sexo liberado surge como um sonho, como uma ilusão de que tal “paraíso seja um dia possível”.
As pessoas estão em uma busca descontrolada do sexo que é como se os levassem ao melhor paraíso. Qual será melhor? Aquela que já deitou com tantos ou a de seios fartos? Aquele homem musculoso ou o de pênis grande? Tais idéias trás uma curiosidade imatura que resulta diversas vezes em traição ou estupro, dois crimes hediondos a uma pessoa, seja quem for.
O aumento do homossexualismo também pode ser tratado pelo culto enlouquecido ao sexo. As pessoas procuram em cada uma não o amor, a relação ou laço que trará experiências para a própria vida acrescentando em si mais como pessoa, mas procuram o “melhor prazer”, elas querem o sexo puro, não interessa amor ou erotismo. Essa busca louca leva a uma idéia psicológica e inconsciente de individualismo, assim as pessoas se sentem mais distantes da outra. Todos temem ser bom no sexo para evitar que alguém melhor leve-lhe a ser corneado, assim entram em uma frenética paranóia que leva alguns a loucura e desespero. Todos somos seres sociais, mas quando você se deita com uma dama qualquer, ela não quer você, ela quer seu corpo, você que se dane! O individualismo machuca e é maioria, poucos desejam o amor, pois estes o temem. Sabem que podem amar alguém que não o ama e o acabe traindo e machucando, alguns chegam ao cumulo de experiências amorosas desastrosas aonde acham que nenhum ser na terra é capaz de amar, só fazer sexo. O sexo derruba relações, briga amigos, destrói casamentos, famílias e vidas (estupro), mas não é negado, pois pela delicia que ele provém. Essa desilusão do amor leva algumas pessoas, de cabeças mais fracas ou não (é uma discusão psicológica de relatividades) a buscar no próprio sexo o reconforto. Com exceções, mas poucas, as pessoas não vão jamais tratar de não fazerem mais sexo, mas elas querem uma relação com alguém que entendam o que pensa e que também seja capaz de entender o outro. Assim a menina entende o que se passa na cabeça da outra e o menino também na de outro, mas um homem não entenderia jamais uma dama, até por questões fisiológicas e hormonais. Uma garota amava um garoto, mas este a traiu porque a outra era mais gostosa, ainda que desse a ele presentes e carinhos que a outra jamais seria capaz de oferecer. Essa garota passa a achar que nenhum homem, ser humano do sexo oposto presta, então vai buscar no próprio sexo o amor, pois se compreendendo, compreende o outro. O mesmo pode ocorrer com um garoto e por aí vai a destruição da sociedade de valores.
O equilíbrio criado pela trindade amor, sexo e erotismo foi quebrado pela sociedade e pelo capitalismo. O amor, todos buscam (pode afirmar que não, mas no intimo todos somos seres sociais, não apenas individualistas, então é correto afirmar que o amor, como relação social, é comum a todos. Uns preferem dizer que não amam ou não amarão mais por plena vontade de repetindo isso acabar acontecendo), mas poucos encontram com facilidade e sem sofrimento; o sexo é o que mais pesa na balança e o erotismo é questão da mídia, através de roupas, imagens e Sex Shops. O que restou à população? Apenas o prazer carnal, e esse, quando chega ao extremo se torna o objetivo principal da pessoa que passa a não se interessar ou acreditar mais em amor e paixão, esse estágio de ápice é que levaria ao bissexualismo: não importa se é homem ou mulher, como amor não existe e a sociedade não reprime mais o sexo, o negocio é aproveitá-lo ao máximo dos dois lados.Não há uma busca do amor ou atos insinuantes mais, apenas uma sexualidade desnorteada, imatura e caótica voltada aos genitais. Se antes se conversava agradavelmente com melodias de fundo com temas amorosos e leve erotismo inocente como “Garota de Ipanema”, hoje você vai até o chão com “Créu” e “Vô encontrar meu negão”.

2 comentários:

Kera disse...

Como sempre, ele conquista com as palavras!
O texto é claro e limpo, explica de maneira suscinta a relação religião/humanidade, seus dogmas, seus tabus...

Anônimo disse...

Homens da caverna não precisavam se preocupar tanto com essas coisas de sexo...


sabe onde eu posso comprar uma máquina do tempo?

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