segunda-feira, 21 de abril de 2008

O JAPÃO É POP!!!!!! - PARTE 2: O PODER DO PIKACHU

O JAPÃO É POP!!!!!!
- PARTE 2: O PODER DO PIKACHU -

Este texto é dedicado ao livro “Os Japoneses” de Célia Sakurai, aqui, na segunda parte, falaremos sobre a questão nacional quanto à como o anime, manga e demais produtos puramente japoneses alcançaram o coração do mundo infantil com símbolos, tornando o Japão POP!!!!

“Até aonde será que chega o poder do pikachu?”, eu pergunto. Pois vou mostrar-lhes que será tão longe quanto o dos megazordes dos Power Rangers! O Japão sempre tentou resistir a cultura exterior e valorizar a própria, na verdade, até o inicio da 2º Guerra, os japoneses tiveram seguindo o mito de serem descendentes diretos da Deusa Amaterasu e Izanagi e Izanami, como descendentes diretos de Deuses, o que os faziam de superiores aos outros povos. Com isso sempre foram muito unidos contra o mundo exterior, todavia, não eram coletivos apenas por isso, mas pela própria sociedade. As vilas eram formadas por uma comunidade de valores comunitários. Desde a manutenção de pontes quanto a lavoura era uma atividade de coletividade, e aqueles que não seguissem as regras da coletividade acabava por se tornar um homem marcado, mal-visto e que desonrava a família, perdendo terras e prestigio, como tentar casar com uma pessoa bem vista traria desgraça não só a sua família já desonrada, mas também para a da noiva.

Até hoje há um grande nível de coletividade nipônica, como as crianças que saem de casa em grupos para ir à escola, as casas pequenas que aproximam os familiares e até fora do japão, entre os imigrantes há comunidades de apenas japoneses no brasil, um exemplo é a liberdade, e essas comunidades juntas lutarão por seus direitos. Numa casa há divisão de tarefas, como em certo dia um limpa os pratos, no outro o outro, depois o outro e assim por diante em um rígido código de disciplina familiar que depende sempre da ação de mais de um. Assim vemos como esse espírito não deixa sumir o mesmo que tinham os aldeões feudais.

Esse espírito de coletividade também fez do Japão uma nação que criou alguns maníacos (isso é, maníacos a nosso etnocêntrico visar). Da mesma forma que um Samurai respeitava e servia a um, e apenas um mestre em toda sua vida, sendo que se necessário em situações de não poder concretizar alguma tarefa ou perder a honra de outra forma, ele se suicidava, assim é o japonês. Essa ideologia dava ao povo japonês o pensamento de que eram uma nação poderosa e orgulhosa que NUNCA deve se render, uma norma do Bushido dos samurais, mesmo que para isso seja necessário a morte. O próprio samurai nunca deveria temer a morte, mas sim procurá-la, entregando-se ao combate sem medo ele seria capaz de proteger seu senhor e atacar sem receios. Os japoneses se identificam com sua nação como indivíduos coletivos que formam uma nação que nunca se rende, assim como eles próprios. Tanto que existiram os Kamikaze e o grande índice de suicídios quando a Guerra com EUA foi perdida, neste caso o próprio Imperador interveio indo contra a tradição se rendendo para parar o alto número de suicídio, nas colônias japonesas, ao ouvirem que haviam perdido, muitos japoneses mataram-se por não aceitarem a idéia. Mas o que isso tudo tem haver com pokémon, você pergunta. Pois quem assiste animes como One Piece, Naruto e Dragon Ball sabem bem do que falo quanto a prezar pela vida coletiva.

Você sabia que você encontra as normas samurais do bushido tanto no anime do Pokémon quanto em um jogo de rpg de mesa ou joguinho de game boy? Pois é, os japoneses tornaram-se grandes mestres nas artes de preservar seu passado. Ele foi globalizado, mas conseguiu preservar sua cultura. O Budismo e Xintoísmo são, ainda, as religiões mais comuns entre japoneses dentro e fora do arquipélago, não o catolicismo ou protestantismo; eles cultivam a idéia de honra e coletividade; criaram imagens para o mundo para ser rotulado como original; exporta culinária típica que poucos conseguem igualar; ensina artes de combate próprias, e logo ele tem uma identidade. Quando iniciou a globalização do Japão, eles perceberam o perigo de perder sua cultura, mas então reforçaram pelas empresas e a mídia escolheu aquilo que haveria de exportar. O próprio Samurai, ser de honra plena que nunca se rende se tornou o grande exemplo.

Com os animes não é diferente, ele dá uma moral por trás de cada história ou tem algo oculto pelas entrelinhas. O público mundial, e principalmente japonês, amou ver as aventuras de Godzilla, a iguana marinha que mutou biologicamente por radiação e que atacava Tóquio dizimando inúmeros moradores da cidade. Uma óbvia critica a bomba atômica lançada sobre Nagasaki e Hiroshima. Logo depois aparece o filme aonde o monstro enfrenta King Kong na torre de Tóquio, uma alusão ao que acontecia no fator econômico com os EUA na época. Samurai X, Samurai Champloo, Afro Samurai e Lobo Solitário contrastam com os cavaleiros medievais, reportando os personagens japoneses como espadachins em busca da honra e não cavaleiros atrás de dragões.

Moranguinho e Hello Kit exploram o mercado voltado para a fantasia das meninas, sem reduzi-las a imitação de adultas consumistas e de seios grandes que só pensam em garotos e roupas. Até mesmo assistir Sakura Cardcaptor mostra a divisão de trabalho, como tirar giz do apagador, limpar a sala de aula e até fazer comida. Sem contar que tanto esse anime, quanto Guerreiras Mágicas de Rayearth e outros feitos somente para meninas quebram com o clichê europeu de o mocinho que salva a mocinha do vilão, afinal, as meninas já deviam estar cansadas de serem sempre as fracas e em perigo. As meninas não se contentam em ser mais ajudante ou namoradinha do herói, as garotas sabem lutar ao lado dos rapazes e muitas vezes salvando-os.


No anime Sailor Moon, aspectos da cultura japonesa, como respeito ao passado e à hierarquia, são retratados nas aventuras das meninas pré-adolescentes. Embora as personagens se vistam de maneira igual, usando saias curtas e cabelos estilo maria-chiquinha, e aparentando frágeis e inocentes, são guerreiras de grandes poderes que enfrentam monstros (que alguns dizem ser representação dos inimigos do Japão no mundo econômico representado). Cada uma ainda traz ao público a representação da cultura japonesa: uma estudiosa, a outra, dona de casa e a terceira, uma sacerdotisa xintoísta. Sem contar a ligação com normas do bushido, em relação à lealdade, possuindo a Rainha Sailor Moon como mestra, assim como tiveram os samurais. E colocam outros ensinamentos do bushido, como a união de grupo, lutar por um objetivo sem temer a morte, lealdade e coragem.

Quando desenhos como Cavaleiro do Zodíaco, pokémon, One Piece, Bleach, Naruto, Dragon Ball ou até Get Backers narram histórias de companheiros em busca dos seus objetivos, a mensagem intrínseca é do valor do coletivo, um reforço ao ideal japonês do associativismo. E em analogia, vejamos como o pikachu é similar a um samurai. No código do bushido há o ensinamento do aprimoramento, nenhum homem se torna samurai da noite para o dia, ele treina, e treina, e treina, ganha experiência em lutas para assim conseguir “evoluir” para o merecimento de ser chamado de samurai, assim como um pokémon não evolui sem merecer e sem guardar respeito e obediência ao seu dono que o treina e diz o que fazer, como um mestre da era pré-Tokugawa.
Nos próprios vídeo-games você se vê preso em um monte de obstáculos que devem ser resolvidos para que você proceder, e para isso você precisa se sacrificar procurando poderes e habilidades que alguém (lembrando dos mestres dos samurais) irá lhe ensinar. Às vezes o mesmo jogador joga de novo e de novo até ser o melhor e colocando mais dificuldade a cada momento. Quem que jogou game boy do pokémon e nunca se pegou ficando horas a fio, dias, meses, anos tentando evoluir todos os pokémons ao máximo e colecionar todos?

A cultura japonesa foi salva graças a esses movimentos dos animes, pois apesar da massiva cultura capitalista que globaliza e anula a cultura original, o Japão fez pela cabeça dos jovens um meio para que nunca se perdesse a tradição. Pelo mundo a fora os animes passam mensagens dos conceitos nipônicos. Em animes que mostram a atualidade mostra famílias que fazem o amém japonês antes de comer, que é o “Itadakemasu”; outros revelam como funciona uma escola, com alunos que se preoculpam em limpar a sala de aula (coletivismo); outros, como pokémon e Dragon Ball aonde há um mestre que ensina discípulos que se esforçam para alcançar um objetivo tornando-se mais fortes emocional e fisicamente, que são dogmas do bushido; Sakura, Guerreiras Mágicas e Sailor Moon fazem na cabeça das meninas que elas podem ser tornar heroínas na vida também, e não só namoradinhas peitudas do mocinho que sempre precisa salvá-las; One Piece, Naruto e demais animes de personagens em grupo mostram a idéia da importância do coletivismo; animes que passam no período feudal, são como filmes que trazem ao presente o passado de tradições, como Samurai X que mostra como era o passado em si ou Inu-Yasha que mostra alguns seres da mitologia japonesa (que devo salientar sobre sua grande riqueza); e há ainda os famosos animes de robô gigante ou tecnologia avançada, como Escaflowne, Gundam Wing, Evangelion e Fullmetal Panic, aonde mostra ao mundo o poderio e avanço tecnológico nipônico ante ao mundo, além de serem famosos pela escola de megatrônica. Alego ainda que um anime bobo como Speed Racer, ainda mostra o avanço automobilístico japonês.

O mais incrível que conseguiram chegar, foi contagiar e disseminar sua cultura através do mundo, assim como em todo o mundo já ouviu pelo menos falar de Madonna (cultura norte-americana), é impossível uma pessoa em qualquer parte com mínimo de cultura não ser capaz de dizer o nome de um único anime ou mangá. Sendo que essa expansão, leva muitos habitantes de outros países a venerar a cultura nipônica (um deles sou eu ^^), esses vão em busca de saber mais, aprender o idioma (tarefa difícil, devo salientar), assistir vários animes e até fazer cosplays!!!! O Japão agora é popular, ou melhor falando, graças ao PODER DO PIKACHU, o Japão é POP!!!!!

2 comentários:

Viajante dos Sonhos disse...

tirando as coisas profundas de lado, quem é o cara vestido de Sailor Moon???

Anônimo disse...

Err... tipo... tem um cara barbudo vestido de sailor moon O_O'

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