GLOBALIZAÇÃO


O sistema capitalista foi, desde sua primitividade, o maior demônio criado pelo homem. Esse sistema de modelo de vida é um monstro intocável, um verme gigante e invisível que rói a carne da sociedade enquanto lhe causa um prazer que oculta a dor. Ele oferece benefícios que tornam as pessoas alienadas, como através dos objetos e produtos inúteis que são comprados apenas para “tirar onda”, como é o caso de pessoas que usam roupa de marca e carro do ano. Cria-se uma competição humana de superioridade egocêntrica na busca de ter mais, levando a alienar-se da percepção de que por isso está se tornando menos. Há uma corrida do livre mercado em busca do lucro máximo, o qual a engrenagem é a Lei da Oferta e Procura, sendo que ela interfere até mesmo na questão da qualidade de vida das pessoas. A máquina capitalista pensa friamente: quanto mais vaga, haverá mais trabalhadores, mais trabalhadores haverá aumento do preço dos produtos, isso levará à menor venda, contudo, se houver mais máquinas, haverá menos trabalhadores, assim o gasto com salários será menor, os preços serão menores, a procura será maior e logo o lucro aumentará. Chegando a uma premissa de que é necessário o desemprego de muitos para haver um lucro financeiro de poucos.
Durante a Guerra Fria, principalmente durante o fim da URSS, percebeu-se o poder desse monstro corrupto e tentador. Na União Soviética todos possuíam uma qualidade de vida, carro e não havia mendigos nas ruas, porém a qualidade de vida não era tão confortável quanto nos países capitalistas, até os carros não eram os do ano, em contra partida, nos países capitalistas a qualidade de vida era alta e os carros eram do ano (ainda que estejamos falando de uma minoria, mas era essa minoria que era divulgada), apesar da existência de miséria e mendigos nas calçadas. Assim acabou que a população da extinta União Soviética preferiu que aparecessem mendigos nas ruas do que ficar sem o carro do ano. A perestróica foi a tentação maior que o medo do desemprego.

Visando esse monstro que é o sistema capitalista, não podemos deixar de falar de um de seus membros mais danosos, ainda que alguns não o considerem assim, a globalização. Alguns especialistas no assunto acreditam que a globalização, através do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, torna a população mais estável, ordenada, e, como disse o romancista George Orwell, organizada em uma sociedade com excessiva estabilidade e previsibilidade. Todavia, percebesse que apesar da sociedade ter fugido à fortuna dos fatos, sendo manipulada e alienada pelos poderosos, as conseqüências no planeta e na própria cultura das pessoas saíram de controle.
A globalização é uma arma do capitalismo, um exemplo é seu efeito sobre a cultura humana, e isso inclui alimentação, ritos, religião e até organização social. A globalização coloca todas as pessoas do mundo sob uma carga incontrolável de informações (úteis ou não), mostrando, opinando e forjando as mais diversas culturas existentes, além da mídia “levar” para cada canto, um pouco de cada parte. O Japão é um exemplo, durante grande parte de sua história permaneceu-se fechado no Eixo de Japão-Coréia-China, quando, na Era Meiji, em especial, abriu-se ao mundo exterior, foi bombardeado de tal forma que sua cultura por pouco não sucumbiu. Sempre acostumados em suas especiarias de arroz e frutos do mar, hoje Mcdonalds são vistos nas grandes cidades, as quais se parecem cada vez mais com as do ocidente em sua arquitetura e modo de vida, que segue o American’s New Way of Life.
A globalização exporta, impõe e interliga as demais culturas, derruba as barreiras territoriais pelo plano econômico e destrói nacionalismos. Estando diante de tal massacrante individualismo capitalista, competição econômica e social e até sendo mergulhado em uma onda de culturas, cada pessoa tem uma noção espacial do planeta bem menor que possuíam nossos antepassados. Se guerras estouram basta fugir para outro local, o amor a terra em que nasce caiu em conceito, basta ter capital no bolso. Um exemplo é no plano econômico, as empresas transnacionais são o máximo que puderam chegar. As multinacionais pertenciam a um país em especial, possuíam produtos comuns de sua área e tinham sua base em sua nação de origem enquanto ramos seus se espalhavam pelo mundo indo produzir nas nações distantes. Já as transnacionais são globalizadas, apátridas, sua base pode ser em qualquer canto e mudando-se para locais aonde encontrar vantagens fiscais ou de mão-de-obra e matéria prima, com empresas em várias partes do planeta. A conjuntura mundial mudou, e o Japão só resiste até hoje por causa de sua tradição forte e tentativas inteligentes, como exportação de sua cultura tradicional e ensinamento de sua tradição para as novas gerações por animes, mangás e jogos.
Esse encurtamento de fronteiras ainda causa problemas mais graves que vão além da perda de identidade de uma nação. As pessoas mesmas se confrontam com um mundo menos fundamentalista e mais científico, os mitos e crenças são questionadas, a tecnologia e a ciência começam a se tornar novos dogmas que ditam a doutrina de como agir, alimentar e viver. Cada individuo começa a se tornar mais uniformizado através da mídia da moda global e regras de etiqueta ditadas por varias nações consideradas “finas”, logo você segue padrões de roupa e jeitos que impedem que um próprio, espontâneo, lhe aflore, se consegue tal coisa, corre o risco de ser discriminado como excêntrico, mas se não corre esse risco, acaba por si só sentindo uma falta de personalidade, bem estar consigo mesmo, não consegue viver como deseja, alguns acabam cedendo e vivendo amargurados, contudo, na “moda”, outros liberam suas identidades e vivem felizes, mas por vezes excluídos, outros preferem a morte e se suicidam, eis suas três opções no sistema capitalista de globalização. Qual você prefere?
Com os mitos e crenças ao chão, as pessoas correm atrás de seus direitos, homossexuais, mulheres, jovens, filhos... As famílias que foram criadas desde o inicio seguindo ritos e preceitos naturais, quer se reestruturar sem mudar. As mulheres querem sair para trabalhar como seus maridos, as crianças buscam a própria identidade e o individualismo, querendo direitos, mesmo para com os pais, que até pouco tempo eram tidos como “ditadores bondosos”. As mulheres mais livres realizam atos extraconjugais, ferem os maridos e a família a qual muitas vezes acaba por se desintegrar, lembrando que para os homens também ocorre esse fato. A busca de trair ainda é uma conseqüência da consciência capitalista de quantidade é melhor que qualidade, produção em massa em visão de mais lucro.Por último, outro dano da globalização se encontra no momento em que a busca de maior produção em menos tempo, que logicamente consome mais matéria prima para energia, causa danos ao meio ambiente interferindo no ciclo de funcionamento global, como ciclo da água, ciclo do carbono e cadeia alimentar. Essa busca por capital e a diminuição das fronteiras fazem com que haja exploração descontrolada da natureza em nível global. Mesmo a natureza “intocada” hoje, é assim por capricho do homem, e ela permanece vigiada, mesmo que por satélite. Atualmente a natureza vem revidando, mas como parar? Como deixar de comprar o carro do ano? Como parar de produzir? Como estagnar e trocar de cultura tão rapidamente para evitar um colapso global? O ser humano veio globalizando sua degeneração e a do mundo e tudo corre tão rápido que um clique de um mouse na Argentina pode derrubar várias nações na outra parte do globo economicamente, deixando-as na mais pura miséria social. E dessa forma que atacamos com agilidade a natureza, devemos parar e remodelar a sociedade. É contraditório destruir o ciclo natural das coisas em alta velocidade, parar perto do colapso e querer que a natureza espere, vagarosamente, nos acostumarmos com um novo tipo de vida, não acha?

2 comentários:
Ah cara, o capitalismo nada mais é q "A lei da natureza", sempre foi assim, o conceito de "o mais forte sobrevive" é o q nos fez evoluir até onde chegamos, não acho q seja algo fácil de mudar, e a globalização é só um reflexo da evolução, não acho que é ruim, ^^"
Com certeza o fato de estar esmageando as nossas tradições e costumes não é motivo de alegria, ou muito menos sinal de evolução, mas sim, regreção. Ao meu ver, a globalização não tráz beneficio algum à população em geral, se beneficia alguém, é único e exclusivamente a minoria que vive a tirar proveito de pessoas que pensam como você Bruno.
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