
segunda-feira, 21 de abril de 2008
O Governo Brasileiro e suas bolsas

Jesus ensina uma parábola
O JAPÃO É POP!!!!!! - PARTE 2: O PODER DO PIKACHU
Este texto é dedicado ao livro “Os Japoneses” de Célia Sakurai, aqui, na segunda parte, falaremos sobre a questão nacional quanto à como o anime, manga e demais produtos puramente japoneses alcançaram o coração do mundo infantil com símbolos, tornando o Japão POP!!!!
“Até aonde será que chega o poder do pikachu?”, eu pergunto. Pois vou mostrar-lhes que será tão longe quanto o dos megazordes dos Power Rangers! O Japão sempre tentou resistir a cultura exterior e valorizar a própria, na verdade, até o inicio da 2º Guerra, os japoneses tiveram seguindo o mito de serem descendentes diretos da Deusa Amaterasu e Izanagi e Izanami, como descendentes diretos de Deuses, o que os faziam de superiores aos outros povos. Com isso sempre foram muito unidos contra o mundo exterior, todavia, não eram coletivos apenas por isso, mas pela própria sociedade. As vilas eram formadas por uma comunidade de valores comunitários. Desde a manutenção de pontes quanto a lavoura era uma atividade de coletividade, e aqueles que não seguissem as regras da coletividade acabava por se tornar um homem marcado, mal-visto e que desonrava a família, perdendo terras e prestigio, como tentar casar com uma pessoa bem vista traria desgraça não só a sua família já desonrada, mas também para a da noiva. Até hoje há um grande nível de coletividade nipônica, como as crianças que saem de casa em grupos para ir à escola, as casas pequenas que aproximam os familiares e até fora do japão, entre os imigrantes há comunidades de apenas japoneses no brasil, um exemplo é a liberdade, e essas comunidades juntas lutarão por seus direitos. Numa casa há divisão de tarefas, como em certo dia um limpa os pratos, no outro o outro, depois o outro e assim por diante em um rígido código de disciplina familiar que depende sempre da ação de mais de um. Assim vemos como esse espírito não deixa sumir o mesmo que tinham os aldeões feudais.
Esse espírito de coletividade também fez do Japão uma nação que criou alguns maníacos (isso é, maníacos a nosso etnocêntrico visar). Da mesma forma que um Samurai respeitava e servia a um, e apenas um mestre em toda sua vida, sendo que se necessário em situações de não poder concretizar alguma tarefa ou perder a honra de outra forma, ele se suicidava, assim é o japonês. Essa ideologia dava ao povo japonês o pensamento de que eram uma nação poderosa e orgulhosa que NUNCA deve se render, uma norma do Bushido dos samurais, mesmo que para isso seja necessário a morte. O próprio samurai nunca deveria temer a morte, mas sim procurá-la, entregando-se ao combate sem medo ele seria capaz de proteger seu senhor e atacar sem receios. Os japoneses se identificam com sua nação como indivíduos coletivos que formam uma nação que nunca se rende, assim como eles próprios. Tanto que existiram os Kamikaze e o grande índice de suicídios quando a Guerra com EUA foi perdida, neste caso o próprio Imperador interveio indo contra a tradição se rendendo para parar o alto número de suicídio, nas colônias japonesas, ao ouvirem que haviam perdido, muitos japoneses mataram-se por não aceitarem a idéia. Mas o que isso tudo tem haver com pokémon, você pergunta. Pois quem assiste animes como One Piece, Naruto e Dragon Ball sabem bem do que falo quanto a prezar pela vida coletiva.
Você sabia que você encontra as normas samurais do bushido tanto no anime do Pokémon quanto em um jogo de rpg de mesa ou joguinho de game boy? Pois é, os japoneses tornaram-se grandes mestres nas artes de preservar seu passado. Ele foi globalizado, mas conseguiu preservar sua cultura. O Budismo e Xintoísmo são, ainda, as religiões mais comuns entre japoneses dentro e fora do arquipélago, não o catolicismo ou protestantismo; eles cultivam a idéia de honra e coletividade; criaram imagens para o mundo para ser rotulado como original; exporta culinária típica que poucos conseguem igualar; ensina artes de combate próprias, e logo ele tem uma identidade. Quando iniciou a globalização do Japão, eles perceberam o perigo de perder sua cultura, mas então reforçaram pelas empresas e a mídia escolheu aquilo que haveria de exportar. O próprio Samurai, ser de honra plena que nunca se rende se tornou o grande exemplo.
Com os animes não é diferente, ele dá uma moral por trás de cada história ou tem algo oculto pelas entrelinhas. O público mundial, e principalmente japonês, amou ver as aventuras de Godzilla, a iguana marinha que mutou biologicamente por radiação e que atacava Tóquio dizimando inúmeros moradores da cidade. Uma óbvia critica a bomba atômica lançada sobre Nagasaki e Hiroshima. Logo depois aparece o filme aonde o monstro enfrenta King Kong na torre de Tóquio, uma alusão ao que acontecia no fator econômico com os EUA na época. Samurai X, Samurai Champloo, Afro Samurai e Lobo Solitário contrastam com os cavaleiros medievais, reportando os personagens japoneses como espadachins em busca da honra e não cavaleiros atrás de dragões.Moranguinho e Hello Kit exploram o mercado voltado para a fantasia das meninas, sem reduzi-las a imitação de adultas consumistas e de seios grandes que só pensam em garotos e roupas. Até mesmo assistir Sakura Cardcaptor mostra a divisão de trabalho, como tirar giz do apagador,
limpar a sala de aula e até fazer comida. Sem contar que tanto esse anime, quanto Guerreiras Mágicas de Rayearth e outros feitos somente para meninas quebram com o clichê europeu de o mocinho que salva a mocinha do vilão, afinal, as meninas já deviam estar cansadas de serem sempre as fracas e em perigo. As meninas não se contentam em ser mais ajudante ou namoradinha do herói, as garotas sabem lutar ao lado dos rapazes e muitas vezes salvando-os.No anime Sailor Moon, aspectos da cultura japonesa, como respeito ao passado e à hierarquia, são retratados nas aventuras das meninas pré-adolescentes. Embora as personagens se vistam de maneira igual, usando saias curtas e cabelos estilo maria-chiquinha, e aparentando frágeis e inocentes, são guerreiras de grandes poderes que enfrentam monstros (que alguns dizem ser representação dos inimigos do Japão no mundo econômico representado). Cada uma ainda traz ao público a representação da cultura japonesa: uma estudiosa, a outra, dona de casa e a terceira, uma sacerdotisa xintoísta. Sem contar a ligação com normas do bushido, em relação à lealdade, possuindo a Rainha Sailor Moon como mestra, assim como tiveram os samurais. E colocam outros ensinamentos do bushido, como a união de grupo, lutar por um objetivo sem temer a morte, lealdade e coragem.
Quando desenhos como Cavaleiro do Zodíaco, pokémon, One Piece, Bleach, Naruto, Dragon Ball ou até Get Backers narram histórias de companheiros em busca dos seus objetivos, a mensagem intrínseca é do valor do coletivo, um reforço ao ideal japonês do associativismo. E em analogia, vejamos como o pikachu é similar a um samurai. No código do bushido há o ensinamento do aprimoramento, nenhum homem se torna samurai da noite para o dia, ele treina, e treina, e treina, ganha experiência em lutas para assim conseguir “evoluir” para o merecimento de ser chamado de samurai, assim como um pokémon não evolui sem merecer e sem guardar respeito e obediência ao seu dono que o treina e diz o que fazer, como um mestre da era pré-Tokugawa.Nos próprios vídeo-games você se vê preso em um monte de obstáculos que devem ser resolvidos para que você proceder, e para isso você precisa se sacrificar procurando poderes e habilidades que alguém (lembrando dos mestres dos samurais) irá lhe ensinar. Às vezes o mesmo jogador joga de novo e de novo até ser o melhor e colocando mais dificuldade a cada momento. Quem que jogou game boy do pokémon e nunca se pegou ficando horas a fio, dias, meses, anos tentando evoluir todos os pokémons ao máximo e colecionar todos?
A cultura japonesa foi salva graças a esses movimentos dos animes, pois apesar da massiva cultura capitalista que globaliza e anula a cultura original, o Japão fez pela cabeça dos jovens um meio para que nunca se perdesse a tradição. Pelo mundo a fora os animes passam mensagens dos conceitos nipônicos. Em animes que mostram a atualidade mostra famílias que fazem o amém japonês antes de comer, que é o “Itadakemasu”; outros revelam como funciona uma escola, com alunos que se preoculpam em limpar a sala de aula (coletivismo); outros, como pokémon e Dragon Ball aonde há um mestre que ensina discípulos que se esforçam para alcançar um objetivo tornando-se mais fortes emocional e fisicamente, que são dogmas do bushido; Sakura, Guerreiras Mágicas e Sailor Moon fazem na cabeça das meninas que elas podem ser tornar heroínas na vida também, e não só namoradinhas peitudas do mocinho que sempre precisa salvá-las; One Piece, Naruto e demais animes de personagens em grupo mostram a idéia da importância do coletivismo; animes que passam no período feudal, são como filmes que trazem ao presente o passado de tradições, como Samurai X que mostra como era o passado em si ou Inu-Yasha que mostra alguns seres da mitologia japonesa (que devo salientar sobre sua grande riqueza); e há ainda os famosos animes de robô gigante ou tecnologia avançada, como Escaflowne, Gundam Wing, Evangelion e Fullmetal Panic, aonde mostra ao mundo o poderio e avanço tecnológico nipônico ante ao mundo, além de serem famosos pela escola de megatrônica. Alego ainda que um anime bobo como Speed Racer, ainda mostra o avanço automobilístico japonês. O mais incrível que conseguiram chegar, foi contagiar e disseminar sua cultura através do mundo, assim como em todo o mundo já ouviu pelo menos falar de Madonna (cultura norte-americana), é impossível uma pessoa em qualquer parte com mínimo de cultura não ser capaz de dizer o nome de um único anime ou mangá. Sendo que essa expansão, leva muitos habitantes de outros países a venerar a cultura nipônica (um deles sou eu ^^), esses vão em busca de saber mais, aprender o idioma (tarefa difícil, devo salientar), assistir vários animes e até fazer cosplays!!!! O Japão agora é popular, ou melhor falando, graças ao PODER DO PIKACHU, o Japão é POP!!!!!

domingo, 20 de abril de 2008
O JAPÃO É POP!!!!!! parte 1: RESISTENCIA AO MUNDO
- parte 1: RESISTENCIA AO MUNDO -
Este texto é dedicado ao livro “Os Japoneses” de Célia Sakurai, aqui falaremos sobre a questão nacional quanto à como resistiram à cultura exterior em sua história e como o País-Arquipélago se tornou POP!!!!
Samurais, hashi (palito japonês que usam ao invés de talher), animes, teatro Kabuki, shishi, yakisoba, nanotecnologia, mangas, sake… Lendo isso você se lembrou de que país? Pois se lembrou do Japão, por que será? Veja a cultura brasileira, faça como o Japão e fale algo único do Brasil. O futebol? Não, ele foi criado nas ilhas britânicas e até na Angola há jogadores de futebol de bom nível, a cerveja? Não, os gregos já faziam. O carioca? Perdão, mas ele é mistura de várias pessoas de fora. Os índios então? Quais? Aqueles que sobrevivem no Brasil sendo assalariados e acreditando no animismo do capital, comprando roupas de marca? Engaçado né? Se pararmos para pensar, nós sabemos mais sobre o que poderia definir o Japão do que nós mesmos! Sabe como isso se chama? GLOBALIZAÇÃO!
Essa globalização pareceu uma ótima idéia de início, aonde você poderia encontrar os mais diversos produtos exóticos pelo mundo, poderia comer comida tailandesa ao lado de uma loja de calçados norte-americanos, enquanto assiste um noticiário argentino que fala sobre os acontecimentos na Índia através de uma televisão de plasma japonesa. Mas até aonde isso é benigno? Todos nós perdemos nossa nacionalidade, não somos mais do Brasil ou da América do norte ou da França, nós somos do mundo! Aqueles que tiveram a sorte de não serem colonizados desenvolveram culturas próprias sem influência massificada, você olha para Alemanha e lembra de Hitler, Volkswagen e cerveja. Olha para a Rússia lembra da catedral de São Basílio em Moscou e a União Soviética. Mas e ao olhar para o Brasil? Sim, no âmago ele possui uma diferença, mas são tão pequenas que é difícil montar uma identidade original. O Japão, pelo contrario, foi um país que por prezar tanto por suas tradições que conseguiu ter sua identidade intacta.
A primeira ocorreu em 1543 d.C., quando naus portuguesas chegaram à Nagasaki e começaram a realizar comércio. Como na época a Igreja Ocidental estava no momento de busca de expansão, Jesuítas, sob missão de evangelizar os japoneses, foram enviados ao arquipélago. Com o tempo, arrecadaram muitos nativos nipônicos, o que causou certo temor nas pessoas que sempre cultivaram religiões como o budismo, xintoísmo e a cultura zen. Largando o budismo e o xintoísmo era uma afronta à honra da família e antepassados, pois o budismo fala de reencarnação, o catolicismo fala de reencarnação e o xintoísmo fala de tradição de respeito às almas dos ante passados. Quando viu sua nação em perigo, o Japão deu um limite de tempo para que os estrangeiros saíssem, fechou os portos para o mundo exterior e promoveu uma campanha de aniquilação dos católicos ainda presentes no país. Muitas imagens de Nossa Senhora foram destroçadas pelos Japoneses, pois por mais que a cultura ocidental fosse interessante em sua pregações, eram um perigo tremendo à tradição nipônica. Os japoneses realizaram uma espécie de Inquisição contra Igreja católica, que há nações dali, fazia o mesmo com outras religiões.
A segunda foi menos bem sucedida no combate. Com o início da globalização, o Japão cedeu e abriu novamente seus portos no Período Meiji, realizando um tratado de amizade com os Estados Unidos, Grã-Bretanha e o Império Russo. Agora ele importava culturas diferentes, como o caso de brinquedos, aonde importavam brinquedos europeus, mas com o início da 1º Guerra Mundial, as manufaturas européias entraram em crise, então ele mesmo passou a exportar brinquedos, ingressando no mercado mundial assim. Suas exportações de brinquedos triplicaram nesse período.
Quando a Europa retomou seu fôlego, as empresas japonesas tiveram de aprimorar sua criatividade. Uma delas foi a Nintendo, fundada em 1889.
Em termos de concepção de brinquedos, os japoneses se igualavam com os norte-americanos, tratavam crianças como crianças, não pequenos adultos. Na Europa, pelo contrário, possuía os bonequinhos populares de soldadinhos, como tentando fazer a criança brincar com a guerra e se preparar moralmente para ela. O Japão promoveu uma busca pelo fantástico. Após a 2º Guerra Mundial, os japoneses adquiriram grande prestígio no mundo infantil.
“Quem nunca ouviu falar nos pokémons ou em Godzilla? Gostando ou não, são personagens que marcaram a vida de mais de uma geração dentro e fora do japão. Os Mais velhos viram Godzilla e acabam conhecendo pokémon através dos filhos. Nas últimas décadas, os heróis vindos do Japão se rivalizam em popularidade com os de Walt Disney (Turma do mickey), Warner Bros (Turma do pernalonga), Hanna Barbera (criaram o Scooby-Doo e Zé Colméia) e Marvel (Batman e Capitão américa).”
(Sakurai, Os Japoneses; 2000, pág.342)
A Industria Japonesa movimentou-se muito mais no ramo infantil. Pois com a fama criada por suas séries e desenhos, desenvolveu empresas especializadas em poder deixar os “Heróis Japoneses” junto às crianças através de bonequinhos de plástico, estampas de camisas, mochilas, copos, capas de cadernos, lapiseiras etc.
Mas além de Godzilla, pokémon, Power ranger, Ultraman e outros, o Japão também agrada as meninas. Antes desses heróis aparecerem, as meninas já se deliciavam com chaveirinhos da Hello Kit e da Moranguinho, mesmo sem saberem que eram produtos criados no Japão. “O Japão do pós-guerra entra no mundo do consumo pela porta dos eletrônicos, dos automotores e também pela porta do entreterimento”.
Logo o Japão contagiou o mundo com a sua cultura e através dela mostrou valores que a sociedade ocidental desconhecia. Através de animes foi capaz de mostrar ao mundo sua concepção de coletividade e a importância que dão, mesmo nesse mundo individualista, alem da concepção de deus, bem, mal etc. O que contém nos animes fica para a Parte 2!!!
sexta-feira, 18 de abril de 2008
"Além disso, não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo."
JOSEPH CAMPBELL
CAMPBELL: Porque é sobre isso que vale a pena escrever. Mesmo nos romances populares, o protagonista é um herói ou uma heroína que descobriu ou realizou alguma coisa além do nível normal de realizações ou de experiência. O herói é alguém que deu a própria vida por algo maior que ele mesmo.
MOYERS: Então, em todas essas culturas, qualquer que seja a vestimenta particular que o herói esteja usando, em que consiste a proeza?
CAMPBELL: Bem, há dois tipos de proeza. Uma é a proeza física, em que o herói pratica um ato de coragem, durante a batalha, ou salva uma vida. O outro tipo é a proeza espiritual, na qual o herói aprende a lidar com o nível superior da vida espiritual humana e retorna com uma mensagem.
A façanha convencional do herói começa com alguém a quem foi usurpada alguma coisa, ou que sente estar faltando algo entre as experiências normais franqueadas ou permitidas aos membros da sociedade. Essa pessoa então parte numa série de aventuras que ultrapassam o usual, quer para recuperar o que tinha sido perdido, quer para descobrir algum elixir doador da vida. Normalmente, perfaz se um círculo, com a partida e o retorno.
Mas a estrutura e algo do sentido espiritual dessa aventura já podem ser detectados na puberdade ou nos rituais de iniciação das primitivas sociedades tribais, por meio dos quais uma criança é compelida a desistir da sua infância e a se tornar um adulto – para morrer, dir se ia, para a sua personalidade e psique infantis e retornar como adulto responsável. E essa é uma transformação psicológica fundamental, pela qual todo indivíduo deve passar. Na infância, vivemos sob a proteção ou a supervisão de alguém, entre os quatorze e os vinte e um anos – e caso você se empenhe na obtenção de um título universitário, isso pode prosseguir talvez até os trinta e cinco. Você não é, em nenhum sentido, auto responsável, um agente livre, mas um dependente submisso, esperando e recebendo punições e recompensas. Evoluir dessa posição de imaturidade psicológica para a coragem da auto responsabilidade e a confiança exige morte e ressurreição. Esse é o motivo básico do périplo universal do herói – ele abandona determinada condição e encontra a fonte da vida, que o conduz a uma condição mais rica e madura.
MOYERS: Mas os heróis não são todos homens?
CAMPBELL: Oh, não. O macho tem normalmente o papel de destaque apenas por causa das condições de vida. Ele está lá fora, no mundo, e a mulher está em casa. Mas entre os astecas, por exemplo, que dispunham de vários céus, para onde as pessoas iam de acordo com a morte que tivessem, o céu dos guerreiros mortos em batalha é o mesmo das mães que morrem em trabalho de parto. Dar à luz é incontestavelmente uma proeza heróica, pois é abrir mão da própria vida em benefício da vida alheia.
MOYERS: Você não acha que perdemos essa verdade, na nossa sociedade, ao considerarmos mais heróico partir para o mundo e fazer dinheiro do que ficar em casa cuidando dos filhos?
CAMPBELL: Fazer dinheiro provoca mais repercussão. Você deve conhecer o adágio: Se um cão morde um homem, isso não é nada; mas se um homem morde um cão, isso dá uma história sensacional. Assim, aquilo que acontece repetidas vezes, por mais heróico que seja, não é novidade. A maternidade deixou de ser notícia, dir se ia.
MOYERS: Qual é o significado das provações, dos testes, das experiências penosas do herói?
CAMPBELL: Se você colocar as coisas em termos de intenções, as provações são concebidas para ver se o pretendente a herói pode realmente ser um herói. Será que ele está à altura da tarefa? Será que é capaz de ultrapassar os perigos? Será que tem a coragem, o conhecimento, a capacidade que o habilitem a servir?
MOYERS: Na nossa cultura de religião fácil, atingida sem esforço, parece que esquecemos que as três grandes religiões ensinam que as provações da jornada heróica são parte significativa da vida, e que não há recompensa sem renúncia, sem pagar o preço. O Alcorão diz: “Você acha que pode ter acesso ao Jardim das Delícias sem passar pelas mesmas provações daqueles que o antecederam?” E Jesus diz, no Evangelho de São Mateus: “Grande é a porta e estreito o caminho que conduz à vida, e poucos os que o encontram”. E os heróis da tradição judaica e nfrentam duros testes antes de chegar à redenção.
CAMPBELL: Ao se dar conta do verdadeiro problema – perder se, doar se a algum objetivo mais elevado, ou a outrem – você percebe que essa, em si, é a provação suprema. Quando deixamos de pensar prioritariamente em nós mesmos e em nossa auto-preservação, passamos por uma transformação de consciência verdadeiramente heróica.
E todos os mitos lidam justamente com a transformação da consciência, de um tipo ou de outro. Você vinha pensando de um certo modo, agora tem de pensar de um modo diferente.
MOYERS: Como é que a consciência se transforma?
CAMPBELL: Ou pelas próprias provações ou por revelações iluminadas. Tudo gira em torno de provações e revelações.
MOYERS: Não existe um momento de redenção em todas essas histórias? A mulher é salva do dragão, a cidade é poupada da destruição, o herói se livra do perigo na hora H.
CAMPBELL: Bem, sim. Não haveria proeza heróica se não houvesse um ato supremo de realização. Eventualmente pode acontecer de um herói fracassar, mas este será normalmente representado como uma espécie de palhaço, alguém com pretensões além do que pode realizar.
MOYERS: O heroísmo tem um objetivo moral?
CAMPBELL: Existe um certo tipo de mito que pode ser chamado de busca visionária, partir em busca de algo relevante, uma visão, que tem a mesma forma em todas as mitologias. E o que tentei mostrar no primeiro livro que escrevi, O herói de mil faces. Todas essas diferentes mitologias apresentam o mesmo esforço essencial. Você deixa o mundo onde está e se encaminha na direção de algo mais profundo, mais distante ou mais alto. Então atinge aquilo que faltava à sua consciência, no mundo anteriormente habitado. Aí surge o problema: permanecer ali, deixando o mundo ruir, ou retornar com a dádiva, tentando manter se fiel a ela, ao mesmo tempo em que reingressa no seu mundo social. Não é uma tarefa das mais fáceis.
MOYERS: Então o herói é movido por alguma coisa, ele não vai em frente apenas por ir, não é simplesmente um aventureiro.
CAMPBELL: Existem heróis das duas espécies, alguns escolhem realizar certa empreitada, outros não. Num tipo de aventura, o herói se prepara responsavelmente e intencionalmente para realizar a proeza. Por exemplo, Atena ordenou a Telêmaco, filho de Ulisses: “Vá procurar o seu pai”. Essa busca do pai é uma aventura heróica superior, para os jovens. E a aventura de procurar o seu próprio horizonte, a sua própria natureza, a sua própria fonte. Você se compromete nisso intencionalmente. Ou existe a lenda sumeriana da deusa do céu, Inanna, que desceu aos mundos subterrâneos e enfrentou a morte para trazer seu amado de volta à vida.
Depois existem aventuras às quais você é lançado – como alistar se no exército, por exemplo. Não era sua intenção, mas de repente você se vê ali. Você enfrentou morte e ressurreição, vestiu um uniforme e se tornou outra criatura.
Uma figura de herói que aparece com freqüência nos mitos célticos é a do príncipe caçador, que foi atraído pela astúcia do cervo a um canto da floresta onde nunca havia estado antes. O animal passa então por uma transformação, tornando se a Rainha da Colina das Fadas, ou algo parecido . É o tipo de aventura em que o herói não tem idéia do que está fazendo, mas de repente se surpreende num mundo transformado.
MOYERS: O aventureiro que se envolve nesse tipo de situação é um herói, no sentido mitológico?
CAMPBELL: Sim, porque ele está sempre pronto para enfrentar a situação. Nessas histórias, a aventura para a qual o herói está pronto é aquela que ele de fato realiza. A aventura é simbolicamente uma manifestação do seu caráter. Até a paisagem e as condições ambientes se harmonizam com sua presteza.
MOYERS: Hoje parece que reverenciamos celebridades, não heróis.
CAMPBELL: Sim, e isso é muito mau. Certa vez foi feita uma pesquisa numa escola secundária do Brooklin, que perguntava: “O que você gostaria de ser?” Dois terços dos estudantes responderam: “Uma celebridade”. Eles não tinham noção da necessidade de dar a si próprios a fim de realizar alguma coisa.
MOYERS: Só queriam ser conhecidos.
CAMPBELL: Só queriam ser conhecidos, ter fama – nome e fama. Isso é muito mau.
MOYERS: Mas uma sociedade precisa de heróis?
CAMPBELL: Sim, penso que sim.
MOYERS: Por quê?
CAMPBELL: Para seguir algum rumo. A nação necessita, de algum modo, de uma intenção, a fim de atuar como um poder uno.
MOYERS: Às vezes me parece que devemos ter pena do herói e não admiração por ele. Muitos deles sacrificaram suas próprias necessidades em benefício dos outros.
CAMPBELL: Todos o fizeram.
MOYERS: Não é verdade que muitos heróis mitológicos morrem para o mundo? Eles sofrem, são crucificados.
CAMPBELL: Muitos doam suas vidas. Mas então o mito afirma que da vida sacrificada nasce uma nova vida. Pode não ser a vida do herói, mas é uma nova vida, um novo caminho de ser, de vir a ser. A história de Jonas na barriga da baleia é um exemplo de tema mítico praticamente universal: o herói é engolido por um peixe e volta, depois, transformado.
MOYERS: Por que o herói precisa fazer isso?
CAMPBELL: É uma descida às trevas. Psicologicamente, a baleia representa o poder de vida contido no inconsciente. Metaforicamente, a água é o inconsciente, e a criatura na água é a vida ou energia do inconsciente, que dominou a personalidade consciente e precisa ser desempossada, superada e controlada.
No primeiro estágio dessa espécie de aventura, o herói abandona o ambiente familiar, sobre o qual tem algum controle, e chega a um limiar, a margem de um lago, ou do mar, digamos, onde um monstro do abismo vem ao seu encontro. Aí há duas possibilidades. Numa história do tipo daquela de Jonas, o herói é engolido e levado ao abismo, para depois ressuscitar; é uma variante do tema da morte e ressurreição.
Outra possibilidade é o herói, ao defrontar se com o poder das trevas, vencê-lo e matá-lo, como Siegfried e São Jorge fizeram quando enfrentaram o dragão. Mas, como Siegfried aprendeu, é preciso provar o sangue do dragão para incorporar alguma coisa do seu poder. Quando matou o dragão e provou do seu sangue, Siegfried ouviu a música da natureza. Ele transcendeu sua humanidade e uniu se novamente aos poderes da natureza, que são os poderes da vida, dos quais somos afastados por nossas mentes.
MOYERS: Por que você intitulou seu livro O herói de mil faces?
CAMPBELL: Porque existe uma certa seqüência de ações heróicas, típica, que pode ser detectada em histórias provenientes de todas as partes do mundo, de vários períodos da história. Na essência, pode se até afirmar que não existe senão um herói mítico, arquetípico, cuja vida se multiplicou em réplicas, em muitas terras, por muitos, muitos povos. Um herói lendário é normalmente o fundador de algo, o fundador de uma nova era, de uma nova religião, uma nova cidade, uma nova modalidade de vida. Para fundar algo novo, ele deve abandonar o velho e partir em busca da idéia semente, a idéia germinal que tenha a potencialidade de fazer aflorar aquele algo novo.
MOYERS: Por que essas histórias são tão importantes para a espécie humana?
CAMPBELL: Depende do tipo de história. Se a história representa o que se pode chamar de uma aventura arquetípica – a história de uma criança se tornando um jovem, o despertar do novo mundo que se abre para a adolescência, sempre ajuda a fornecer um modelo para acompanhar esse desenvolvimento.
MOYERS: E se o herói retorna da provação e o mundo recusa aquilo que ele traz para oferecer?
CAMPBELL: Esta, é claro, é uma experiência comum. Não que o mundo recuse sempre a dádiva, mas ele simplesmente não sabe como recebê-la, como institucionalizá-la...
MOYERS: Como fazer para destruir o dragão em mim? Como é a jornada que cada um de nós tem de empreender, que você chama “a alta aventura da alma”?
CAMPBELL: Minha fórmula geral, para meus estudantes, é: “Persiga a sua bem aventurança”. Descubra onde ela está e não tenha medo de segui Ia.
MOYERS: É o meu trabalho ou a minha vida?
CAMPBELL: Se o trabalho que você faz é o que você escolheu porque encontra prazer nele, então é o trabalho. Mas se você pensa: “Oh, não, eu não devia estar fazendo isso!”, então é o dragão espreitando, dentro de você. “Não, não, eu não podia ser escritor” ou “Não, não, eu não podia de modo algum estar fazendo o que fulano faz.”.
A aventura é a sua recompensa, mas é necessariamente perigosa, incluindo possibilidades tanto negativas quanto positivas, umas e outras fora de controle. Estamos seguindo o nosso próprio caminho, não O caminho do papai ou da mamãe. Com isso estamos, sem proteção, num campo de poderes superiores aos que conhecemos. É preciso ter alguma noção das possibilidades de conflito nesse campo, e, para isso, algumas boas histórias arquetípicas, como esta, podem preparar nos para o que nos aguarda. Se formos imprudentes e, ao mesmo tempo, estivermos inabilitados para o papel que nos destinamos, esse será um casamento demoníaco, um verdadeiro desastre. Mesmo assim, porém, uma voz de resgate talvez seja ouvida, para converter a aventura numa glória para além de qualquer coisa jamais imaginada.
O importante é viver a vida em termos de experiência e, portanto, de conhecimento, do mistério intrínseco da vida e do seu próprio mistério. Isso confere à vida uma nova radiância, uma nova harmonia, um novo esplendor. Pensar em termos mitológicos ajuda o a se colocar em acordo com o que há de inevitável neste vale de lágrimas. Você aprende a reconhecer os valores positivos daqueles que aparentam ser os momentos e aspectos negativos da sua vida. A grande questão é saber se você vai dizer, de coração, um sonoro sim ao seu desafio.
MOYERS: A saga do herói?
CAMPBELL: Isso, a saga do herói, a aventura de estar vivo.
Muitos retratam a música como um meio do ser humano tentar entrar em harmonia com a natureza, produzindo uma harmonia sonora que mexe com o interior das pessoas, como se fosse um meio de entrar em contato com o mundo em si. Mas a música é mais que apenas isso, ela é uma forma de expressão, uma arte, uma maneira de algumas pessoas extravasarem algum sentimento reprimido, isso desde o amor em si até a revolta com as dificuldades da vida.A música já foi tratada de várias maneiras, ela é capaz de exaltar um povo que se honra pela nação através de um hino, serve para adormecer as pessoas através das canções de ninar, para tentar mostrar quanto amor uma pessoa sente pela outra, como através da serenata, para meditação, como o mantra, realização de cerimônias sagradas, como as musicas religiosas, para apenas apreciação, como em óperas e apresentações de pianistas, e para extravasar sentimentos pesados, como no rock e no Havy Metal.
O mundo já presenciou as mais variadas formas de expressão musical, e em cada lugar foi criado seu estilo, inclusive nas áreas menos desfavorecidas. Assim como o Hip-Hop surgiu nos guetos do sul dos EUA, o Funk surgiu das favelas do Brasil. Essas músicas expressam algo como tantas outras, mas mais que isso, elas tentam passar à sociedade uma imagem do que é a realidade das favelas.
O Hip-hop cantado por, na maioria, negros, buscou criticar a sociedade excludente, expressar amor, raiva, frustração, assim como fazem as demais musicas, mas se utilizando de palavras de sua realidade. O vocabulário, por tanto, não será nenhum retirado de uma gramática, será o chamado Black English, um inglês norte americano informal utilizado nos guetos, assim como logo são introduzidas as gírias dos guetos e palavrões com o tempo. Com o Funk não foi diferente. Surgido nas favelas, ele mostrava a sua realidade, tanto através das letras quando pelas palavras em si, de baixo calão, vulgares, informais e cheias de gírias, assim como é o vocábulo no local de onde vieram.
Dá até para entender que o “povão favelado” não está acostumado a ouvir Bossa Nova, Frank Sinatra, música instrumental ou japonesa, afinal não é a realidade deles, e muito menos satisfaz suas formas de expressão. Então é natural que criem a própria forma, no caso o Funk. Todavia, as repercussões foram desastrosas. Logo a Elite interviu (assim como foi no inicio do Hip-hop no continente norte americano), afinal aquela música podre começou a invadir o espaço das músicas tradicionais, se antes conversas baixas e agradáveis eram ouvidas ao som de “Garota de Ipanema” e “Águas de Março”, agora você vai até o chão com “Tatty-Quebra-Barraco”. A elite teve de permitir que a música fosse livre, mesmo que ela descesse as favelas e contagiasse o mundo jovem letrado. No fim, para por mais lenha na fogueira, o Funk começou a fazer apologias ao narcotráfico, utilizar-se de palavras sem pudor algum, utilizar como tema uma sexualidade barata e altamente obscena que vai de contra com a população elitista, tradicional.
Quanto ao meu comentário, que é necessário compreender o passado para criar conceitos para o presente, eu tenho na minha opinião que se o Funk fosse abolido da existência a que me restrinjo seria algo reconfortante e, provavelmente, indiferente. A existência do Funk para mim é algo que pode existir, mas com limites, afinal, nada nesse mundo não pode ser sem limites!
A minha realidade, sendo mais humilde possível, é de elite, não vivo em favela, morro, área pobre etc. Não vivo colado ao narcotráfico nem tenho amigo nenhum que é aviãozinho. Vivo uma vida de prazeres de uma realidade diferente da dos morros, tanto que meu mais delicioso passa tempo é tomar um bom vinho tinto seco comendo frutos do mar de frente a uma praia ao entardecer. Podem me chamar de tradicionalista ou cafona, mas infelizmente é isso que me faz me sentir bem. Shows? Vou sim, mas não preciso ir até o chão ou dançar “Créu” para me divertir. Para mim a realidade da favela me traz nada mais que informação para uma conversa critica com os amigos e fonte de analise das crises da sociedade. O Rio de Janeiro em si, jovens letrados e jovens do morro parecem estar sempre voltados para a favela. Um dos filmes que mais fizeram sucesso no Brasil foi Tropa de Elite, aí eu pergunto... Tah, tem o BOPE, mas e EU COM ISSO?
Não acho que o Funk tenha de ser proibido. Ele é uma expressão artística e não deve haver algo como uma lei que proíba expressões artísticas, afinal, se o Funk representa a cultura de algum lugar, por que não proibir o Rock? A Bossa Nova? O Funk deve existir sim, servindo àqueles que se deliciam em ouvir uma musica com “batida” e pobreza vocal aonde geralmente é uma letra de palavras horríveis com uma voz cacofonica. Ele existir ou não, não deveria, se quer, ser discutido, mas sim preocupar-se com os limites. Se ele faz apologia ao trafico, aí realmente essa parte deve ser reprimida para evitar jovens que achem que o trafico é uma espécie de novo mercado de trabalho, se há palavrões, que fique com quem se agrada ouvir xingamentos e palavras que fariam uma senhora dos anos 60 ter um ataque cardíaco, e se gostam de dançar eroticamente sem pudor algum, que assim seja, já que é agradando alquém, mas as coisas passam do limite quando o Funk surge de forma que atinja negativamente outras pessoas.
Quando uma coisa agrada alguém e não inflige danos quaisquer a alguém, quem somos nós para julgar e proibir ou não proibir tal coisa?
Primeiramente debatamos sobre o que diferencia o homem dos demais animais quanto ao mito. O homem tem certas habilidades desenvolvidas que passa sobre as dos animais. Um cachorro, um pássaro ou mesmo um babuíno é um ser que possui o que chamamos de instinto, que é como um reflexo comum entre esses animais quanto aos movimentos do mundo para tentativa de sobrevivência, mas nunca deixando de entrar no grande ciclo biológico de nascer, crescer, procriar e, enfim, servir de alimento a um outro animal ou a uma planta como adubo. Instinto seria esse movimento inicial que dá ao ser um ar no grande ciclo natural. O homem possui o instinto também, porém mais que isso. Ele possui a razão que permite pensar fora do que esse ciclo condiciona e assim poder trabalhar, que é alterar a natureza fora de seu rumo cíclico natural, geralmente para prazer próprio (sentir sede é natural, saciar-se nesse ciclo do mundo todos os animais fazem com água natural, como a de um rio, mas com o trabalho o homem desenvolve o conforto, a escolha: “Quer beber algo? Água com gás ou sem gás? Ah, refrigerante?”); ele possui também algo que anda lado a lado com a razão, o meio de fuga ou de completude com o mundo, a capacidade de imaginação! Com ela, ele usa de sua criatividade dando idéias subjetivas a coisas e idealizações ou transpassa para textos, e demais artes em geral, suas angustias para fugir ou se completar com o mundo em que se encontra. Lembrando que ao falarmos de mundo é algo a mais, não apenas o espaço em si, mas seu funcionamento natural, mecânico e simbólico. Os animais talvez compreendam a vida pelo instinto, mas somos capazes de estudá-la pela razão e criar um sistema, um mundo, com a subjetividade e o mito. Olhando de um ponto distante e seguro ou apenas positivo, como o olhar cientifico de Comte, o mito em si parece algo desnecessário, primitivo e decadente ante a razão, mas assim como ela, a subjetividade é essencial ao homem para torná-lo um ser racional que se compreende dentro de um mundo.
A própria ciência produz mitos, como o mito de ela ser capaz de elevar o homem a nível de divindade e controlar o multiverso ao compreendê-lo, ou o mito de sempre estar certa ante qualquer situação. Mas olhando frivolamente, como um persa, que tinha vários deuses, visando nossa sociedade cientifica, a ciência pode ser considerada inútil, não explicando tudo e não dando pleno suporte emocional. Um asteca tinha certeza que o sacrifício humano a seu Deus era o que fazia o sol não devorar a terra, e um canibal tinha certeza plena que ao devorar o rival ganharia todos os poderes dele. O que quero dizer com isso? É que apartir da convicção de cada um, entre razão e mito não há apenas um deles que seja uma verdade plena que prevaleça sobre a outra ou um que seja uma explicação falsa. Talvez se pode aceitar a idéia de uma verdade lógica e empírica (a ciência em si) e uma verdade intuída (o mito). Afinal, os dois têm o mesmo fundamento e finalidade: a busca de compreender e situar o homem no mundo, assim diferenciando dos animais puramente instintivos. Essas duas verdades têm como fim, por exemplo, a busca da cura (remédios VS fé), a explicação da criação (evolução VS criação dos Deuses) e até mesmo a explicação da natureza (física e biologia VS rituais e vontades do sagrado).
O mito, inclusive, é um apoio emocional. O homem não é um simples “ser pensante”, ele também é um “ser sensível” capaz de sentir o mundo em que se encontra e criar disso conceitos, coisas como o medo do desconhecido e o desejo pelo conhecido, e vice versa. Quando se viu ante ao mundo sem a razão, ele usou do mito, a verdade intuída, aonde deuses e espíritos são respeitados ou reverenciados em troca de um apoio apaziguador entre o ser humano e a natureza. A função do mito não é, então, primordialmente, explicar a realidade, mas acomodar e tranqüilizar o homem em um mundo “assustador”, desconhecido, imprevisível e megalomaniacamente onipotente.
O pensamento mítico tem, também, o poder de criar o mundo do individuo e assim a cultura e a manipulação social. “Mundo” aqui não é o sinônimo de planeta, mas sim de realidade, e levando assim o mundo mítico terá duas vertentes: o mundo mítico coletivo, o Imposto, e o mundo mítico individual, o Sensível. O mundo Imposto é aquele forjado por uma ou várias pessoas no tempo antes da criança nascer. Esta será incluída a esse mundo aonde, como ser humano normal, irá aderir em sua mente e idéias a aceitação dos mitos, os montará como um mundo e assim surgirá o momento da parte do mundo sensível dela. Esse mundo irá organizar uma sociedade de pessoas, que acreditarão em um mesmo ideal, objetivo e mito que os tranqüiliza perante o mundo. Será o criador de uma coletividade com um ideal, os próprios positivistas compõem a sociedade positiva que acreditam no mito do Cientista como protótipo de Deus, mas para tal deveria renegar todos os mitos e prová-los como verdadeiros ou não (olha que contradição, o mito da inexistência do mito), logo é uma sociedade que luta por um ideal, um objetivo, um mito. Os calvinistas são pessoas em torno de uma sociedade religiosa que têm como mito o dogma que o sacrifício é o único meio de Deus (logo acreditam no mito de sua existência, como católicos, judeus e islâmicos) perdoar o homem pecador e assim dar-lhe uma pós-vida de maravilhas equivalentes a seu trabalho suado. Como último exemplo do imposto, vou falar de um mito que tem um poder maior que o de uma unificação de individualidades em uma coletividade, o poder de manipular essa coletividade e ainda, apartir de mitos nossos, serem considerados discriminadores e hediondos, capaz de destruir uma outra cultura de mitos (algo comum de ocorrer quando culturas de mitos entram em choque, como os dos israelitas e árabes), é o mito do arianismo. Adolf Hitler usou o mito da raça ariana para mobilizar toda a sociedade e nação alemã em prol de seus objetivos pessoais.
O mundo sensível, por outro lado, é o que é formado no interior de cada individuo através de sua trajetória que vai do nascer ao morrer. Através de si mesmo o ser humano vai perceber o mundo à sua maneira e buscar seus próprios mitos quanto ao mundo que lhe foi Imposto pela sociedade em que nasceu, e quando o mundo sensível cria objetivos, conceitos e entendimentos divergentes do que a sociedade formou, vem a revolução. Primeiro a revolução é interior, e dependendo da vontade pessoal ou da mobilização de uma sociedade nova em prol desse mito revolucionário, o mito pré-definido é derrubado e esse novo se torna o novo ideal que unirá a coletividade e poderá ser derrubado por um presumível mito revolucionário futuro.
O próximo objetivo do mito que será explanado é como regulador social. Durante muitos anos perdurou o mito da vida, morte, amor, erotismo, sexualidade, amizade, da pureza do corpo, da violência, dentre outros conceitos. Através de mitos, que para a ciência positiva é considerado algo fútil, desnecessário e irreal, a sociedade conseguiu evitar situações que em seu mito coletivo são consideradas coisas abomináveis, mas essa desenfreada ciência que é capaz de desmascarar o mito em si tem revelado quão danosa tem sido. Quando criança você ouve mitos que lhe são passados inocentemente, mas que deixam uma mensagem em seu ser. Você aprende com chapeuzinho vermelho o exemplo de como neste mundo existe gente má que engana para seu próprio proveito, e que os pais de verdade sempre dão o caminho mais seguro, mesmo que mais longo, para seu objetivo; Na branca de neve você percebe que não deve confiar em estranhos, por mais que pareçam inofensivos; A Bela e a Fera mostra como as aparências enganam, e as pessoas são capazes de fantasiar umas sobre as outras criando pré-conceitos infundados; Aladim e a lâmpada Maravilhosa mostra tanto como a cobiça exagerada pode levar o homem a sua derrota própria, quanto como nem tudo que se deseja será realmente bom, pois pode ter conseqüências desagradáveis; e Cinderela mostra que mesmo que a criança seja pobre, lutando com humildade é capaz de se tornar uma pessoa melhor que muitas que nasceram ricas e sem humildade. São mitos, fabulas e lendas que dão a uma criança, a um ser humano, esperança, conhecimento sobre o mundo envolta e força de vontade para criar objetivos, um meio de passar à futura coletividade mitos impostos para que sigam sempre o ideal ali mostrado. Assim as crianças crescem já preparadas de inicio para um mundo feio, triste e medonhamente desconhecido. É como uma espécie de manipulação moral.
Quando veio a ciência da verdade lógica e empírica, a fantasia e mito foram derrubados explanando cientificamente sobre a morte, amor, vida etc. Foi como retirar o véu que cobria a cara deformada e feia da vida e, em seguida, se acostumar com ela como se fizesse parte da rotina. Primeiro vem o sagrado, o proibido, em segundo a revolução cientifica que choca com a revelação, por fim sobra o costume, a frívola irrelevância à situação. Se antes uma pessoa qualquer morresse assassinada, faria uma cidade inteira parar assombrada com a situação, hoje é a coisa mais normal do mundo ligar a televisão, ver quantos milhares morreram no jornal das noticias do dia e esperar o filme de terror iniciar, aonde todos os mocinhos vão morrer das formas mais horríveis e bizarras, e, por incrível que pareça, ainda terá gente que irá rir disso! No filme Tropa de Elite, teve muita gente que ria com as torturas. Eis um exemplo do que a falta do mito faz, sem ele, morrer ou matar não é mais heróico ou vilanesco, é rotineiro. Traficante mata dez por dia por que os considerou obstáculos, você mata o outro por que encontrou com sua parceira lhe traindo, você se suicida por que acha que a vida é ruim e o outro lado é melhor… É certo que a cultura japonesa tem o suicídio de forma mais comum que a nossa, pois lá a sociedade era envolta da honra, um samurai era um homem de honra, se a perdesse ia virar um Ronin, o Homem Desonrado, e para eles a honra era indispensável para a paz durante a vida, então realizavam o ritual do senppoku para na outra vida ter honra, por ter reconhecido que a honra nessa vida havia acabado. Entretanto, eles elevavam o suicídio ao nível do sagrado e era parte da cultura, um mito, na nossa o suicídio não é um mito, não é sagrado, só uma opção impulsiva, hoje em dia até há o suicídio como sagrado, mas essas pessoas são discriminadas por isso. Exemplos desses atuais? Homens-bomba que morrem por Alah e os Kamikazes do Japão. Serão eles fanáticos ou heróis?
Sem o mito a sociedade só vem cada vez mais sendo desregularizada e entrando em colapso. A violência aumenta por que o mito do pecado de roubar foi abaixo pelo ceticismo religioso, então se está passando fome, antes matar e roubar do que passar fome em nome de um deus mítico não provado. Matar é comum, mesmo que apenas por diversão. O mito do amor romântico acabou, agora só existe a liberdade sexual e a traição. O mito do bicho papão está caindo e do Papai Noel também, então crianças estão se revoltando contra os pais por que não possuem mais um por que de respeitá-los se não precisam, só são obrigados a tal. A regularização da sociedade está em caos graças ao exagerado pensamento cientifico. Não que ele seja algo que deve ser evitado, não entenda por isso, mas até hoje a sociedade se une por um objetivo mítico, por que o mito mostra o pai como aquele que impõe regras na casa, o idoso como o sábio que deve ser respeitado, o próximo como alguém que se deve ajudar, a mãe como figura sagrada que dá o amor e Papai Noel como o bom velhinho que dá presentes para as boas criancinhas. A sociedade mítica é montada assim, ela foi erguida sem a ciência, e agora com o mito positivo que a ciência é a Verdadeira Verdade e o mito em si deve ser acabado para o ser humano não ser mais “enganado”, será erguida uma nova sociedade coletiva mundial com mitos científicos lógicos, e não mais o da sociedade que estamos, logo uma nova sociedade, completamente diferente nascerá. Portanto querer que a sociedade mítica, que desde a primitividade os povos têm desenvolvido, seja tomada pela ciência com os conceitos antigos intocáveis é algo impossível. O mito é o conceito, sem conceito não haverá mito, mas razão e mito são parasitas entre si, eles nunca são nulos por dependerem um do outro, pois apartir de onde a ciência não alcança o mito passa a assumir, e mesmo que a verdade lógica não desse mais espaço para o mito como explicação, ele existe em sua história como base de inicio e como base de objetivo.
Para finalizar, será mostrado como o mito não é algo primitivo, apenas, mas bem atual também. Como já foi citado como a representação do pai, idoso, mãe e o próximo, o homem possui palavras de ressonância míticas: casa, lar, amor, paz, liberdade, morte, madrinha, tia, filho, trabalho, lazer, cuja definição não esgota os significados subjacentes que ultrapassam os limites da própria subjetividade que o ser humano é capaz de dar às coisas físicas e ideais. São conceitos que remetem a valores arquetípicos, existentes na natureza inconsciente e primitiva de todos nós.
O mesmo ocorre com personalidades que a mídia se incube de transformar em ícones exemplares como artistas, mártires, políticos, esportistas, modelos sexuais e de beleza, ditadores, inimigos da humanidade ou pessoas de autoridade respeitável.E para quem ainda considera os ritos de passagem como primitivos, deveriam parar e pensar numa intersubjetividade entre estes e os rituais secularizados por nossa sociedade: as comemorações de nascimento, casamento, aniversários, os festejos de Ano-Novo, as festas de formatura, debutantes, trote de calouros, ingresso obrigatório no serviço militar, a missa de funeral e o funeral em si (aonde os vivos se despedem do morto). Nós temos mitos sim, o mito do corpo é um dos mais fortes deles, o da existência de vários ou um deus é mais ainda entre muitos em todo o mundo, até a inexistência de Deus é um mito. O mito é amigo, se não irmão, da relatividade, afinal tudo pode ser e não ser, assim como tudo ser é um mito, e não ser também é um mito, e essa própria idéia de oposição é mítica.
A sociedade é como um sistema ou mesmo um organismo, mas que com o tempo e conceitos se molda gerando uma nova sob um progresso linear e acumulativo. Visando as mulheres pré-históricas, em seguida as damas da corte francesa de Luís XVI e logo as garotas funkeiras de hoje em dia. Mas essa alteração nem sempre é benigna. Através do corrompido espírito humano, a sociedade se tornou viciada e contaminada por uma peste de gestos e mitos. Coisas inúteis à sobrevivência da espécie (e algumas vezes, danosa) foram impostas durante as eras: a necessidade de dinheiro, a busca do luxo, a vaidade doentia, a recompensa parasita do trabalho, a política de poucos que querem muito e as ridículas ou caras vestes compradas por serem “da moda”, mas nada disso foi tão danoso como o ápice da criação humana, o Sistema do Capitalismo. Literalmente o Homem criou um monstro que prende cada ser, inclusive os mais poderosos, mata os mais fracos e explora os médios com vantagens estrondosas enquanto mina todos os recursos de sobrevivência da espécie humana, retirando suas fontes principais ou sujando-as para o seu eterno ciclo da “Maior produção em menos tempo possível, para vir mais lucro”.
Durante toda a existência da Humanidade, o ser humano buscou mitos e cerimônias ritualísticas ou gestos simbólicos de utilidade inicial nula para montar suas sociedades, talvez por temerem tanto as dificuldades e peso da Realidade. Mas essa forma de “defesa”, têm causado certos problemas durante as eras como será salientado mais a frente. Para começar o ser humano, geopoliticamente falando, sempre desejou a Terra, definia território e quem definisse o mesmo seria enfrentado. A criação da propriedade fora um dos conceitos mais prejudiciosos, graças à noção dela desde a pré-história até dias atuais vêm ocorrendo problemas, pois ser proprietário de um espaço também significa simbolicamente ser dono de tudo dentro dele. As tribos pré-históricas ao atingir a etapa do sedentarismo achavam que a região era própria, outras tribos nela poderia ser motivo de guerra, os Romanos tinham sede por mais espaço para seu império e sobre sua expansão anexou tanto a terra, quanto as coisas contidas nele e os povos. Adolf Hitler expandiu seu Império Alemão Nazista sobre a Europa, até ser derrotado pela URSS e até nos dias atuais há esse problema, como a guerra dos Palestinos e os Árabes por seu território sagrado. Um exemplo de como isso é um simples mito é as palavras de Chefe Seattle para com o governo dos EUA, em 1852, aonde fala sobre a terra não pertencer aos homens, eles que “pertencem a ela”, em Poder do Mito de Joseh Campbell essa parte é citada.
Que seja visado agora uma nova forma de mito social: o de costumes sociais. A cada época houve sua moda, seu jeito, suas crenças. A entidade Deus era representada, em certos povos, como um panteão de Deuses ou espíritos, em outros ele era um único e Todo Poderoso; em algumas sociedades era estético e belo ser gordinha, hoje em dia a magreza é tão “na moda” que as pessoas ficam anorexas por causa da beleza ideal; em algumas sociedades muita roupa era sinal de nobreza, hoje quanto menos mais “maneira” a pessoa é; Antigamente se cantava burguesamente sobre o amor entre um casal apaixonado e proibido, hoje quanto mais palavrões e sexualismo explorado melhor… A sociedade cria padrões, ideologias e simbolismo aonde cada membro deve seguir aquele estilo para que seja social, mas e quem não segue? Neste caso a sociedade destrata. A única forma que o “excluído” encontra para aproveitar as vantagens do social é reprimir seus modos, desejos e conceitos e ser levado pela sociedade.
A ciência psicológica já falou, em certo momento, que isto seria a conseqüência de um subconsciente instintivo do ser humano. Quando o ser humano se depara com algo desconhecido, estranho, não-padronizado ele instintivamente iria recuar e preparar para se defender sob ataque, como se o “diferente” fosse uma ameaça. Na própria Idade Média acreditava-se que a rotina secular imposta por Deus seria imutável, era uma blasfêmia o Novo, um pecado, ele não era aceito, e dependendo o pecador iria parar nas chamas para ser purificado. Mas claro que há sociedades de concepções diferentes, os gregos tratavam o homossexualismo naturalmente, mas na atualidade há um embate de heteros e homos. Uma nova pesquisa diz que isso seria causado por uma repressão dos sentimentos, vontades, desejos. Um homem bateria em um homossexual ou se afastaria por que em seu interior há uma vontade e curiosidade homossexual de conhecer, mas é reprimida exatamente pela sociedade que prega a não aceitação.
Se antes a Igreja era uma maquina de repressão violenta que exterminava quem ousasse não seguir seu “padrão divino”, impondo costumes pelo medo, hoje há uma maquina bem pior, uma que tem como objetivo padronizar em massa uma sociedade (e todas as outras) em busca de melhor funcionamento de seu sistema de lucro e produção, o Capitalismo. Visando a Igreja e esse sistema econômico, este último poderá ser tratado como mais massacrante: ele primeiro impõe conceitos, rotinas e regras a uma sociedade que se padronizará daquela forma, colocando vantagens e igualando as pessoas, para que com um pensamento igual sobre consumo e trabalho o sistema possa prever as ações da humanidade e assim se previnir de prejuízos, depois pela busca de comprar produtos caros e sem necessidade para a sobrevivência apenas pelo “status social”, o ser humano se vê preso em um mundo aonde você É o que você TEM. Os americanos já chegaram a dizer: “Nós primeiro criamos a necessidade para depois vendermos-lhes o necessário”. Mergulhado em formas impostas de vestir, agir, falar, comprar e viver os filhos desses “zumbis capitalistas” vão nascer já sob tradições aonde aprenderão a reprimir desejos, buscar uma independência no ego da individualidade, buscando cada vez mais dinheiro para ter Poder, e vai se tornar mais individual por que estará concorrendo com Deus e o mundo tudo que existe: fama, moradia, um amor, trabalho, ascensão, dinheiro, poder, ser o primeiro na chamada do hospital, conseguir o melhor lugar do ônibus, ser o primeiro na fila do banco etc. Depois ele se encontrará querendo ser o primeiro de todos por que “tempo é dinheiro”, e assim produzirá mais e mais rápido, para com mais dinheiro consumir mais e alimentar, assim, o monstro capitalista, sem contar que quanto maior individualidade, maior será a necessidade de encontrar pessoas no social para se sentir completo, então criamos bares e outros estabelecimentos para se encontrarem e consumirem algo, e sem esquecer de forjar dias religiosos ou míticos aonde consumem para satisfazer uma pessoa próxima, como o natal, aniversário e páscoa. E assim roda o grande sistema capitalista. Nele você se vê tão envolvido com idiossincrasias e crenças que acaba se tornando uma maquina consumidora e produtora do Sistema, forjando assim uma personalidade padrão, com preocupações fúteis para situações desnecessárias e inúteis para a sobrevivência.
A partir desse conhecimento sobre o capitalismo e seu funcionamento de mentor ditador de idéias e costumes surge a sociedade, um grande número de pessoas que tentam se tornar padrão em corpo, alma, costumes e pensamentos para poderem se sociar e saciar o vazio que o individualismo deixa no ego. As pessoas se tornam como “Trude”, nome fictício de uma cidade que aparece em um texto de Ítalo Calvino em As Cidades Invisíveis: “O mundo é recoberto por uma única Trude que não tem começo nem fim, só muda o nome do aeroporto”, aqui ele simboliza a globalização, como se o mundo fosse feito atualmente de cidades iguais, aonde só muda o nome, assim como as pessoas do sistema capitalista. Mas sabe-se que nem todos seguem o padrão imposto, e estes se tornam os anti-sociais, pessoas excluídas da sociedade por causa de seus costumes diferentes ou que se afastam para buscar a própria identidade. Tanto por ter um bom intelecto, personalidade forte, ser bem informado, ser revolucionário contra o padrão capitalista, ou por doença, em especial a mental, algumas pessoas tomam rumos diferentes do padrão, assumem identidades que por não serem padronizadas, não serem iguais como a de toda sociedade, são discriminadas. São os marginais da sociedade, aqueles que vivem à margem do sistema de costumes pré-definidos.
Essas pessoas não reprimem o que a sociedade condena, e podem escolher o que reprimir ou não, conscientes ou não, mas a vista dos outros será sempre tachado como uma “aberração”. Um homossexual é aquele que não reprimiu o desejo curioso que tinha, o louco é aquele que age sem seguir regras, o negro é diferente na cor, algo que o capitalismo eurocêntrico condena por que o padrão lá é branco, a mulher que trabalha, por causa das antigas sociedades paternalistas (mesmo que esteja mudando ainda há boa discriminação) e outros tipos de pessoas que fogem ao sistema se encontra neste grande rodamoinho de conceitos de repressão.
A conseqüência de um reprimido ante um não reprimido é algo devastador ao primeiro tipo, vejamos: Se na Idade Média a repressão era obrigatória pelas ameaças constantes e severas do Santo Oficio, assim tendo quem odiar ou temer, hoje em dia a repressão parece vir do próprio personagem. Digamos que tenha um desejo reprimido dentro de você, aí você encontra um que não reprimiu esse desejo, mesmo sofrendo as punições impostas pela sociedade, você fica com uma raiva incompreensível, por que não há quem odiar por você reprimir esse desejo, pois você mesmo prefere reprimi-lo para continuar a ser aceito no seu social, mas a pessoa lá é forte e resiste ficando em um social de não-reprimidos, mas você teme o desconhecido, teme o que pode estar por vir se você não deixar se reprimir, teme ser excluído e perder tudo que ganhou (olha a idéia de propriedade de novo), e fica com mais raiva ainda de si mesmo por que você parece o culpado com isso (enquanto o Monstro capitalista sorri satisfeito de não ser culpado), sem saber o que fazer, seu instinto reage das mais diversas maneiras, daí surge o pittyboy, a compulsão por consumo (“Está triste? Ah, vai fazer compras para relaxar!”), a depressão e, principalmente, a solidão urbana. O ego parece não aceitar ser o que não quer ser, mas o jeito é forçá-lo até ter coragem de mudar de vida.Viver à margem da sociedade e ser tachado das mais diversas e pejorativas formas é o preço a pagar por ter a própria identidade e não ser padronizado como se fosse produzido em massa, além da felicidade interior de ser quem É, independente dos outros. Viver na sociedade você será feliz exteriormente, buscando a felicidade nos outros e “vendendo a alma” ao capitalismo. O que será melhor, as margens ou as escuras profundezas do lago Sociedade?
quarta-feira, 16 de abril de 2008
- no mundo contemporâneo -

Buscando uma demonstração do empobrecimento da humanidade quanto a seus ideais e como uma das causas ser o Capitalismo, compararei às demais épocas o amor, sexo e o erotismo.
Sempre houvera certo tabu a essa temática desde a Queda de Roma, e até antes, logo que iniciara a influencia da Igreja. Na pré-história o sexo, amor e o erotismo eram tratados como a mesma coisa e nada ao mesmo tempo. Era tudo um instinto de sobrevivência da espécie humana. O erotismo era tão normal na humanidade quanto para um pavão que ergue a cauda para atrair a fêmea, ou um sapo que estufa o papo para o mesmo fim, em seguida vem o sexo que é o ato de copular, não para a satisfação pessoal, mas para a procriação. O amor existe, mas apenas como um laço invisível de proteção de família e coletividade. Não havia a visão romântica simbólica como a de nossa sociedade, apenas um ato instintivo de sobrevivência. A própria concepção de família primitiva é divergente da nossa. Não havia valores como de pai ou mãe, nem de marido e mulher. A mulher tinha liberdade de transar com quantos homens fosse assim como o inverso, consequentemente o filho nascia sem saberem quem seria o “pai” e acabava que a coletividade do bando iria ser a mãe e pai da criança, junta, desenvolvendo e criando a prole como um do Todo-Coletivo.
Com o surgimento das civilizações as coisas mudaram um pouco: o corpo, o amor e o erotismo passariam a ser compreendidos como algo mais simbólico, através de mitos e valores que a sociedade passaria a criar. Os homens de altas classes criaram a monogamia, aonde haveria um homem para uma mulher, assim dando certeza que sua herança passaria ao seu filho que criara desde pequeno, seria nem da coletividade e poderia saber quem era seu descendente herdador de seu poder e riqueza.
Olimpíadas com esportistas nus, mulheres com seios desnudos e estatuas de grandes heróis completamente nus revelavam que sexualidade, amor e o erotismo ganharam um valor novo: o de arte. O amor era algo representado por uma filosofia incompreensível. O erotismo era o principal da sociedade, o eixo entre os outros dois. O tema da sexualidade não era simples e puramente copular, mas de mostrar, revelar o que os Deuses lhes deram de melhor. Como já dizia a frase: “O que é bonito é para se ver!”.
Quando veio a era do Império Religioso Católico e as primeiras sementes da erva daninha da sociedade, o capitalismo, a sexualidade afundara em corrupção e ilicitação. Tabus e proibições severas foram impostas sob alegação que tal ato era impuro, obsceno e repugnante, acabando até por ter uma cadeira nos 7 Pecados Capitais: a luxuria. O erotismo era domínio do demônio, o sexo devia ser feito, mas sem ter como finalidade o prazer pessoal e o amor era restrito ou ignorado. Sendo que essa ideologia duraria na sociedade até pouco tempo e há vestígios de continuidade em algumas pessoas tradicionais na atualidade. A sexualidade era tão hedionda que uma criança por nascer de tal ato profano precisava do batismo, pois com a água sagrada o “limparia” da sujeira da influencia do diabo. O erotismo era evitado, pois era um crime a entidade divina e poderia haver punição eterna com torturas e horrores indescritíveis pela Ira de Deus. Então se um homem desse uma piscadela insinuosa a uma dama, deveriam correr logo para o confessionário e rezar trocentas orações para conseguirem o perdão e se livrarem do demônio.
O amor era algo sem valor… Antes seria melhor servir como freira ou padre do que amar, pois apenas a paixão por Cristo estaria livre da Perdição, ou não importa por quem a nobre dama se apaixonou, ela deve casar com uma pessoa de mesmo sangue azul e que o pai achar social e financeiramente mais vantajoso. O amor? Que venha com o tempo…
Houve 2 movimentos históricos em busca da liberdade da libido: o primeiro foi a ação artística renascentista, que ergueu o direito do Carpe Diem de existir e levou à extinção tabus da Igreja. Expressando anjos nus, sem vergonha do sexo, e santos em insinuantes copulações (pois por mais que fossem santos, podiam procriar e tinham “desejos mortais”), os artistas colocaram abaixo a idéia única de que a carne é proibida. Um exemplo é a magnífica escultura de Bernini, Êxtase de Santa Helena, aonde ela deitada em feição revelando um orgasmo possui um anjo sobre ela lhe apontando uma quente flecha de fogo. Nessa época o amor era novamente liberado, a sexualidade era mais desorganizada, não havendo muito do erotismo, o qual era mais colocado nas obras do que no social.
Todavia as façanhas de tal movimento pereceu ante a maquina burguesa chamada CAPITALISMO. Amor, sexo e erotismo fora anulado. Horas e mais horas de jornada de trabalho pesado cansavam o suficiente para essa “Trindade” ser colocada em 10º plano pelos operários. Os burgueses, pelo contrario, tinham tempo e até criaram o movimento Romântico da literatura. O amor se tornara algo mágico para o burguês, algo fantástico, um conto de fadas forjador de fortes ideologias e valores. O sexo ainda tratado como sinônimo de Perdição, coisa do mal, criara o valor da pureza e virgindade. E o erotismo, ainda que repreendido, surgia sob inúmeros gestos ritualísticos e ações simbólicas.
Com o 2º movimento marcado pelo Woodstock, os jovens buscaram a liberdade para a libido reprimida pela sociedade. Mas não veio a funcionar como o Carpe Diem, pois seu tema era “Sexo, Drogas e Rock’n Roll”, não “Sexo, amor, drogas e Rock’n Roll”.
O amor parecia idiota, coisa de burguês, um bando de símbolos desnecessários, e o erotismo era usado apenas para a vertente que lhes era considerada principal: o sexo (lembrando que a sexualidade no passado era dirigida para o amor, principalmente). Uma criança é aquela que na imaturidade própria ante a circunstancia do ato prejudicial exterior não pensa na conseqüência futura e não sabe como se revoltar sem erros que lhe traga problemas danosos mais a frente, assim fora o movimento jovem. Um movimento imaturo se comparado com o do Renascimento.
Vendo uma brecha para conquistar audiência e um enorme publico, a mídia apoiou o tema do sexo defendido pela juventude esmagadora, e logo o capitalismo interveio. Juntos, Capitalismo e mídia começaram ao rompimento, decomposição, destruição da sexualidade e seus valores antigos. Metralhando o povo com pornografia pela televisão, leitura, imagens, comerciais e demais formas, mitos foram criados, o amor foi colocado de lado e o erotismo (agora tratado o mesmo que sexo) se tornara algo tão explicito e obsceno que ele perdera seus valores sociais e assumira uma identidade nova e nociva. O sexo fora rotulado diretamente ao prazer genital, o amor se tornou obsoleto, algo inexistente,uma verdadeira utopia, só existe Vontade Carnal (que chamam erroneamente de paixão momentânea), e o erotismo é uma ferramenta para o sexo, mas desnecessária, pois o sexo pode existir sem ele na atualidade. O homem passou a ser súdito do sexo e inimigo do amor.
O sexo se tornou um monstro, poucos pensam em amar. Todo garoto reza para não morrer virgem, as garotas procuram descobrir como é o tal sexo (“Guardar-me pura? Virgem? Ih! Mané, cai fora! Isso é coisa da época da minha avó!”, já dizem algumas adolescentes). Os grupos adolescentes e adultos saem procurando as pessoas de corpo mais belo para o sexo, até arrumando mais de uma na mesma noite, para no fim contar aos amigos quantas “pegou”, como contando cabeça de gado (as surubas e swings são exemplos da busca do prazer genital desenfreado). Esse culto monstruoso ao sexo, inclusive, vem elevando cada vez mais o índice de depressão amorosa, homossexualismo e masturbação. Para a maioria, o sexo liberado surge como um sonho, como uma ilusão de que tal “paraíso seja um dia possível”.
As pessoas estão em uma busca descontrolada do sexo que é como se os levassem ao melhor paraíso. Qual será melhor? Aquela que já deitou com tantos ou a de seios fartos? Aquele homem musculoso ou o de pênis grande? Tais idéias trás uma curiosidade imatura que resulta diversas vezes em traição ou estupro, dois crimes hediondos a uma pessoa, seja quem for.
O aumento do homossexualismo também pode ser tratado pelo culto enlouquecido ao sexo. As pessoas procuram em cada uma não o amor, a relação ou laço que trará experiências para a própria vida acrescentando em si mais como pessoa, mas procuram o “melhor prazer”, elas querem o sexo puro, não interessa amor ou erotismo. Essa busca louca leva a uma idéia psicológica e inconsciente de individualismo, assim as pessoas se sentem mais distantes da outra. Todos temem ser bom no sexo para evitar que alguém melhor leve-lhe a ser corneado, assim entram em uma frenética paranóia que leva alguns a loucura e desespero. Todos somos seres sociais, mas quando você se deita com uma dama qualquer, ela não quer você, ela quer seu corpo, você que se dane! O individualismo machuca e é maioria, poucos desejam o amor, pois estes o temem. Sabem que podem amar alguém que não o ama e o acabe traindo e machucando, alguns chegam ao cumulo de experiências amorosas desastrosas aonde acham que nenhum ser na terra é capaz de amar, só fazer sexo. O sexo derruba relações, briga amigos, destrói casamentos, famílias e vidas (estupro), mas não é negado, pois pela delicia que ele provém. Essa desilusão do amor leva algumas pessoas, de cabeças mais fracas ou não (é uma discusão psicológica de relatividades) a buscar no próprio sexo o reconforto. Com exceções, mas poucas, as pessoas não vão jamais tratar de não fazerem mais sexo, mas elas querem uma relação com alguém que entendam o que pensa e que também seja capaz de entender o outro. Assim a menina entende o que se passa na cabeça da outra e o menino também na de outro, mas um homem não entenderia jamais uma dama, até por questões fisiológicas e hormonais. Uma garota amava um garoto, mas este a traiu porque a outra era mais gostosa, ainda que desse a ele presentes e carinhos que a outra jamais seria capaz de oferecer. Essa garota passa a achar que nenhum homem, ser humano do sexo oposto presta, então vai buscar no próprio sexo o amor, pois se compreendendo, compreende o outro. O mesmo pode ocorrer com um garoto e por aí vai a destruição da sociedade de valores.
O equilíbrio criado pela trindade amor, sexo e erotismo foi quebrado pela sociedade e pelo capitalismo. O amor, todos buscam (pode afirmar que não, mas no intimo todos somos seres sociais, não apenas individualistas, então é correto afirmar que o amor, como relação social, é comum a todos. Uns preferem dizer que não amam ou não amarão mais por plena vontade de repetindo isso acabar acontecendo), mas poucos encontram com facilidade e sem sofrimento; o sexo é o que mais pesa na balança e o erotismo é questão da mídia, através de roupas, imagens e Sex Shops. O que restou à população? Apenas o prazer carnal, e esse, quando chega ao extremo se torna o objetivo principal da pessoa que passa a não se interessar ou acreditar mais em amor e paixão, esse estágio de ápice é que levaria ao bissexualismo: não importa se é homem ou mulher, como amor não existe e a sociedade não reprime mais o sexo, o negocio é aproveitá-lo ao máximo dos dois lados.Não há uma busca do amor ou atos insinuantes mais, apenas uma sexualidade desnorteada, imatura e caótica voltada aos genitais. Se antes se conversava agradavelmente com melodias de fundo com temas amorosos e leve erotismo inocente como “Garota de Ipanema”, hoje você vai até o chão com “Créu” e “Vô encontrar meu negão”.
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